quinta-feira, dezembro 13, 2007

Perfil do AEIOU, perdão Ayew

Hoje vou falar do jogador preferido do José Carvalho, 32 clubes depois, decidiu abandonar a carreia (Dependurou as botas), fica aqui a homenagem.

Velocidade, destreza e um penteado porreiro. Assim se pode resumir a carreira de Kwame Ayew de uma penada apenas.

Ainda há questões interessantes como o facto de ter jogado em três continentes e doze clubes diferentes, mas a piada aqui está mesmo no seu potencial cromífluo. Ah, e no facto de alguns media lhe chamarem "Kwame Ayew", enquanto outros preferiam "Ayew Kwame", o que nos leva a pensar o que seria da 1ª Liga com um Brandão Marlon, Pinto Vieira João ou Hadrioui El. Pelo menos o Missé-Missé e o júnior portista André André (filho do ex-carregador de piano António André) passam totalmente incólumes ao lado desta polémica.

Kwame começou a carreira ao mais alto nível (?) no Africa Sports, colosso costa-marfinense de onde Rashidi Yekini partiu para o Sado. Cedo deu nas vistas pela sua inegável qualidade e potencial, e rumou para França, caíndo no FC Metz. Ou foi isso, ou uma cunha metida pelo irmão Abedi Pelé, um dos melhores jogadores Africanos de sempre, que curiosamente jogava em França na altura. Ele há coincidências...

Arrivado a Metz sob uma névoa sebastiânica de proporções kwamescas, Ayew confirmou as imensas expectativas de ineptude que rodeavam a sua chegada e foi expatriado com relativa velocidade para a Arábia Saudita. Lá se foi o sonho de partilhar um T4 com o irmão e um grupo de dançarinas eslovacas.

Ao fim e ao cabo, a sua estadia no Al Ahli foi importante para ganhar experiência futeboleira, sendo que o nosso amigo viveu aos 19 anos uma situação que os restantes jogadores só costumam viver aos 38. Precisamente: jogar no Al Ahli. Ora, o velocíssimo jovem Kwame actuando numa Liga onde a média de idades deverá rondar os 63Ayew era significado de "perigo". Com Ayew em campo, defrontar o Al Ahli significa para os adversários o mesmo que comer no restaurante do Barbas. Medo. Muito medo.

Vinte e dois jogos e catorze golos depois, o africano regressa a um grande País de futebol: a Itália de Emanuele Pesaresi. No Leça (perdão, Lecce) Ayew viveu um momento completamente Luiscampesco - em duas épocas acompanhou a sua equipa da Série A até à Série C. Não terá sido concerteza pelas suas exibições, nem pelo seu penteado a imitar o Yannick Noah, pois o ganês somou o excelente pecúlio de sete golitos em quase quarenta jogos.

Tal demonstração de força e virtuosidade só poderia levar Ayew a um local: Leiria, obviamente. Onde...desceu de divisão, pois claro. Começamos a detectar um padrão na carreira do homem. Mas ainda assim, o felino ganês chamou a atenção de um emblema onde pontificavam Deuses como Matias ou o guardião Sansone, o Vitória de Setúbal. Perante uma doce oportunidade de imitar o trajecto de Rashidi Yekini do Africa Sports para o Sado (se bem que com 32 clubes pelo meio), o célere avançado nem hesitou.

Em apenas uma época em Setúbal (96/97) fez tantos estragos quanto o Manuel Subtil numa casa de banho da RTP. E com muito mais estilo do que este. Pelo menos, em vez da barba sebosa e aspecto de primata, Kwame passeava orgulhosamente uma frondosa cabeleira pós-modernista, que lhe granjeou fama de Teddy Boy por essa Arábia Saudita fora.

Como é seu timbre, o homem não conseguiu ficar parado muito tempo, e passado uma época subiu mais um degrau na carreira. Desta feita para um certo clube, cujos maillots fazem lembrar toalhas de mesa de restaurantes italianos. Na fase pré-campeão, o Boavista construia uma equipa altamente ambiciosa, que precisava de um artilheiro à altura. Encontrou-o no nosso ganês preferido (depois de Nii Lamptey, claro). Já havia Alfredo na baliza, William Quevedo na defesa, Conthé no meio-campo e Wouden, Martelinho e Jacaré no ataque. Com Ayew, o Boavista alcançou um bonzinho 6º lugar, ao que se seguiu um histórico vice-campeonato na época seguinte, com o irmão de Abedi Pelé em grande plano. Um pecúlio de 15 golos a responder a cruzamentos de Martelinho que lhe valeram o passo maior da sua carreira.

Alvalade. Em plena hegemonia do FC Porto Pentacampeão de Jardel, arrivou em Lisboa com o intuito de ser o melhor marcador do campeonato e devolver a glória perdida ao clube de De Franceschi. OK, foi uma aposta extremamente optimista dos dirigentes leoninos, mas quem sou eu para questionar? Apenas mais um que nunca achou piada nenhuma ao Badaró. A verdade é que o verde voltou mesmo a ser cor de vitória, passados 18 anos de seca. O mérito? Completamente direccionado para o colo de Ayew Kwame.

O problema é que a glória também tem o seu peso. Não estando habituando a jogar com a pressão inerente à defesa de um título, o ganês decidiu que iria continuar a infernizar a vida de Mário Jardel. Este saíra do Dragão para a Turquia, logo, Ayew decidiu que seria uma excelente career move. Porque não confiar na capacidade de julgamento de Jardigol, esse jovem tão ponderado?

Talvez porque o ponta-de-lança brasileiro tem discernimento idêntico ao Soares Franco após jantar (Queiróz dixit). De qualquer forma, o nosso ladino amigo ficou a saber disso inequivocamente. Após dois anos na Turquia molhando a sopa ao serviço de Yozgatspor e Kocaelispor, respectivamente, concretizou um sonho de infância: jogar na China. Primeiro no Changsha Ginde, depois no Inter de Xangai, onde foi o melhor marcador da prova. Toma lá, Jardel.

Porém, no final da sua aventura asiática, já calvo e com consciência que a sua carreira estaria mais putrefacta que a dentição de Almerindo Marques, o agora veterano globetrotter tomou a decisão certa.

Em 2006/07, tentou (mais) um "yekini" e regressou à casa que o viu nascer. OK, admito que Ayew não terá nascido em Setúbal, mas o gato dele sim. O pequenito Tinkler, sempre travesso nas suas brincadeirinhas com novelos de lâ. Porque se chamará assim, não sei. O regresso, por sinal, até foi engraçado. Marcou uns golitos e tal, incluíndo uma ignóbil traição ao seu ex-patrão de xadrez (num apimentado frango do porteiro de discotec...guarda-redes William) e uma facada nas costas da União de Leiria, outra ex-entidade patronal. Ingratidão pura.

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